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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A cerca dos proletários das raças de “cor”![1]





Ao Secretariado Internacional

(cópia ao Comitê Nacional da Liga Norteamericana)

 

                Recebi uma copia da cata fechada em 26 de abril de 1932, enviada por uma organização de camaradas negros de Johanesburgo. Me parece que essa carta é muito importante e sintomática. A oposição de Esquerda (bolcheviques-leninistas) pode e deve converte-se na bandeira dos setores mais oprimidos do proletariado mundo, e para tanto, em primeiro lugar, dos trabalhadores negros. Como fundamento essa proposta?

                A Oposição de Esquerda é na atualidade a tendência mais coerentes e revolucionária do mundo. Sua atitude severamente crítica por todas as variantes da arrogância burocrática dentro do movimento operário lhe permite escutar com atenção especial a voz dos setores mais oprimidos do movimento operário e do conjunto dos trabalhadores.

                A Oposição de Esquerda recebe os golpes do aparato stalinista e de todos os governos burgueses do mundo. Esse feito desperta, cada vez em maior medida, as cálidas simpatias dos setores mais oprimidos da classe operária internacional pela Oposição de Esquerda. A partir dessa perspectiva, a carta que os camaradas sul-africanos nos enviaram não me parece acidental, senão profundamente sintomática.

                Em sua carta, que seguem 24 assinaturas (com a anotação de rodapé “e outros”) os camaradas sul-africanos expressam um particular interesse nos problemas da revolução da China. É preciso reconhecer que esse interesse está plenamente justificado. As massas trabalhadoras dos povos oprimidos, que tem que lutar por direitos nacionais elementares e por sua dignidade humana, são precisamente as que correm maior risco de sofrer as consequências das confusas posições da burocracia estalinista sobre o tema da “ditadura deocrática”.[2] Abaixo dessa falsa bandeira, a política do Koumintang, quer dizer, o vil engano e o afastamento impune das massas trabalhadoras por sua própria burguesia “nacional”, todavia podem causar um enorme dano a causa da libertação dos trabalhadores. O programa da revolução permanente, baseado a irrefutável experiência histórica de uma quantidade de países, pode e deve assumir uma importância fundamental para o movimento de libertação do proletariado negro.

                Os camaradas de Johanesburgo podem não terem tido, todavia a oportunidade de se inteirar mais a fundo das posições da Oposição de Esquerda sobre os problemas mais importantes.  Mas esse não pode ser um obstáculo para que nos aproximemos deles o máximo possível, agora mesmo, e os ajudemos, fraternalmente a ir adotando nosso programa e nossas táticas.

                Se dez intelectuais de Paris, Berlin ou nova York, que já passaram por várias organizações, nos expuserem que querem ligar-se a nós, eu daria o seguinte conselho: submetemo-los a uma série de exames sobre todas as questões programáticas, submetamo-los a chuva i a sol e logo, depois de um cuidadoso controle, aceitamos incorporar um ou dois.

                O Assunto mudará radicalmente se se trata de dez operários ligados às massas. Não faz falta explicar nossa atitude diferente para um grupo pequeno burguês e para um grupo proletário. Mas se o grupo proletário atuará em uma zona onde há trabalhadores de distintas raças e, apesar dele, estivesse formado somente por operários da nacionalidade privilegiada, teria minhas suspeitas. Não serão talvez da aristocracia operária? Não estará infectado o grupo de prejuízos escravistas, ativos ou passivos?

                Mas a situação é totalmente distinta quando se aproxima de nos um grupo de trabalhadores negros. Nesse caso estou disposto de antemão a dar por seguro que chegamos a um acordo com eles, embora, todavia não seja evidente  porque os trabalhadores negros, em virtude de toda a sua situação, não podem degradar, oprimir nem privar a nenhum de seus direitos. Não buscam privilégios e não podem chegar à cúpula se não pela via da revolução internacional.

                Podemos e devemos encontrar o caminho para a consciência dos trabalhadores negros, chineses, hindus, a todos os oprimidos desse oceano humano que constituem as raças de cor, que são as que tem a ultima palavra no desenvolvimento da humanidade.

L. Trotsky

 

[1] Acerca dos proletários das raças “de cor”! The Militant, 2 de julho de 1932. A carta de Johanesburgo a que se refere Trotsky apareceu n numero de 4 de junho desse periódico. Estava dirigida à Liga Comunista da América do Norte e expressava a decisão dos assinantes de pedir a filiação a Oposição de Esquerda, fazer circular sua literatura, etc. No paragrafo seguinte explicativo de sua carta é especialmente interessante: “Camaradas! Não se preocupem porque todos nós somos negros nem pensem que intencionalmente nos recusamos a nos unir com os camaradas europeus. Não, não é assim. Fazem dois meses que começamos a considerar a unificação com vocês. Embora seja difícil para um camarada negro organizar um operário europeu, esperamos que mais adiante os militantes brancos sigam nossa direção. O problema racial dificulta a organização. Geralmente, até em problemas como a organização revolucionária, se considera inferiores os trabalhadores negros e superiores os europeus. Até agora temos funcionado com o nome de Partido Comunista da África.”

[2] Ditadura democrática do proletariado e do campesinato: formula utilizada por Lenin antes de 1917 para explicar os objetivos dos bolcheviques, depois da Revolução de fevereiro descartou essa perspectiva e reorientou aos bolcheviques até a tomada do poder e a instauração de um estado operário, a “ditadura do proletariado”. Depois da morte de Lenin, os estalinistas  ressuscitaram essa consigna e a utilizaram  para justificas a colaboração e classe entre os trabalhadores e os capitalistas na China, o que levou a esmagadora derrota da revolução nesse país de 1925-1927.

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